Momento 3 - O Professor

Já era o início da manhã após uma noite fria de início de primavera.

Eu esperava o professor Tariq em minha casa para lhe passar os detalhes de nossa mais recente escavação próximo à Jerusalém, não sei se posso considerar uma escavação arqueológica, eu mesmo não sou arqueólogo, sou apenas um escriba e colecionador de artefatos. Reservei um pouco de pão para o professor e o aguardei, conforme suas instruções, numa pequena praça perto de meu depósito e local de trabalho.

Já me fazia bem conhecido no arredores de Jerusalém, sou o escriba Ben Kalik e presto meus serviços para muitos que necessitam enviar correspondências.

Já era possível avistá-lo e reconhecê-lo a uma certa distância, o professor Tariq era um homem inconfundível. Era de estatura alta, 1,80 metros, magro, barba média no rosto, nariz fino e olhos profundos num tom castanho. Usava roupas surradas típicas de um viajante, um thobe adaptado, com tiras amarradas aos braços em pernas para poder portar itens e utensílios. O thobe cobria uma calça larga com bolsos e algumas tiras nos tornozelos e canelas, botas de viagem de couro rígido. Roupas nas cores da terra como todo viajante dessas regiões.

Nos cumprimentamos com um abraço breve e a saudação habitual dos Triunos e nos entreolhamos em tom de curiosidade mútua, pois ambos tínhamos muitas informações novas para compartilhar. Eu o convidei a entrar no meu depósito para conversarmos com mais calma e privacidade, ele entrou observando meus artefatos com grande interesse.

Logo pedi que me informasse sobre as novidades, pois estava curioso. Ele era um professor muito conhecido entre os estudiosos dos registros passados, vindo direto da cidade de Aydin, onde havia um grande centro de estudos de alunos enclausurados.

Então me disse que tinha vindo para entrar em Jerusalém, mas que ainda não era o momento certo. Esperava encontrar a minha hospitalidade até que o momento enfim chegasse. Obviamente que o recebi como a um familiar e logo lhe informei que outros membros deste estudo estariam conosco para nossos novos registros.

Estariam conosco em algumas horas, lhe informei e que seriam mais quatro membros. Então o professor me pediu um espaço para descansar.

O que faríamos a partir da chegada de todos os membros era conhecida como a "Noite Grande". Uma reunião que duraria por toda a noite, onde cada integrante traria suas descobertas e evidências sobre a nossa história, a alma do nosso passado e então todos os membros teriam a missão de encaixar essas peças em seus devidos lugares de modo a nos revelar a verdadeira história. Esta era a maior preocupação das grandes escolas em nosso tempo, porque se acreditava que descobrindo os registros do passado e os avanços intelectuais dos ancestrais, estaríamos mais habilitados a salvar o mundo da sua situação atual e a verdade é que não sabíamos de absolutamente nada, não tínhamos conhecimento de como tudo se perdeu e nem mesmo do quê se perdeu.


 

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