Momento 2 - Carta de Tariq Shimon ao Mestre Mehmet Beyaz
Mestre
Estamos no mês de Valdora.
Permaneço nos arredores da santa Jerusalém, ainda não enchi o coração de coragem. Todos ainda temos o espírito empoeirado de faltas e a vida muito curta. Estou certo de que me enfrentarei em breve em todas as minhas verdades, mas creio que esta oportunidade de contemplar a cidade santa será perdida.
Nas minhas meditações ainda me condeno por ter trilhado caminhos que o passado gosta de me relembrar. Este talvez seja um motivo claro para ser fulminado na entrada da cidade, mas ainda não posso abandonar minha missão com meus alunos, devo retornar para lhes apresentar o verdadeiro caminho. Talvez ainda haja uma fagulha de salvação para essas almas novas. Estamos chegando ao fim do terceiro milênio.
O que nos levou a viver no esquecimento e escuridão? Me pergunto todos os dias, estou eu aqui vivendo neste mundo abandonado por Al Malik, carregando a culpa de meus ancestrais. Ele não retornará para nos salvar, apenas para terminar de uma vez por todas com o que restou de uma criação imperfeita, a queima das ervas daninhas, o descarte do joio.
Nós pagamos porque nos esquecemos uns dos outros e nos esquecemos da Terra em que pisamos. Acreditamos que no desenvolver de nossas capacidades, seríamos capazes de atravessar o limite que nos foi determinado para o nosso próprio bem e comemos novamente do fruto proibido. E lá no longínquo princípio fomos dizimados com o primeiro elemento, a água lavou a Terra. Mais tarde a Terra foi purificada com o fogo que deixou apenas poucos de nós e após as chamas, a luz eterna levou os escolhidos para sua casa nas alturas.
Os que ficaram perecem até hoje, num mundo totalmente abreviado em todos os seus recursos, só a sabedoria nos resgata para algo superior, mas como em tempos muito distantes no passado, mais uma vez perdemos todo o conhecimento da humanidade. O que nos traz a nossa plena, derradeira e maior missão, de recuperar todos os fragmentos deste conhecimento perdido, onde quer que eles se encontrem.
Mestre, em breve retornarei, pois se em alguns dias nenhum sinal me for colocado, creio que não poderei entrar na cidade. Temo por mim ainda, infelizmente, minha culpa.
Que sejamos a luz nos tempos obscuros.
A paz de Al Malik.
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