Momento 1 - Carta de Tariq Shimon aos Alunos de Aydin
Cada homem teme o seu fim, e antes dele, cada um teme o desconhecido.
Todos eles temem a dor e dentre eles nenhum será eterno.
Dos poucos homens e mulheres que aqui permaneceram e foram abandonados para serem objetos de juízo, nenhum deles fala em esperança. Somos poucos os que realmente se lembram dessa palavra.
O fim anunciado por milênios foi finalmente consumado, não exatamente como estava escrito, mas fielmente como era significado em suas palavras. Hoje somos o povo esquecido.
Assim não nos resta muito além do tempo que temos.
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Estamos no mês de Valdora já na primavera.
Meu nome é Tariq Shimon (Tariq = "o que bate à porta" ou "o que vem à noite"; Shimon = "aquele que ouve"), procuro a redenção pelos meus próximos que apodrecem nesta terra, sem a libertação, esquecidos após o retorno do Hazak e ignorados de seu resgate.
A única cidade que resiste hoje é Jerusalém, ela é a cidade sagrada eterna, pois foi a herança de Al Malik, após o seu juízo. Este foi o único local onde os decaídos não podiam entrar. Nenhuma outra cidade deste porte resistiu ao juízo e por séculos muitos grupos pequenos de homens e mulheres se estabeleceram nos seus arredores, quase todos sem a coragem de entrar em seus portões, pois a cidade do Soberano não permitiu que o mal entrasse, fulminando qualquer um que o trouxesse para dentro de seus muros.
Assim a chave de Jerusalém está nos corações dos homens, porém frente à sua entrada, cada um deles deve refletir e consultar as profundezas da própria alma. A verdade que nunca é dita, grita frente ao sagrado e à vulnerabilidade de todas as nossas imperfeições.
Quem me dera eu mesmo ser digno de entrar na cidade sagrada, porém a busca pela minha própria verdade, ainda não terminou e quando eu a encontrar e a enfrentar, serei digno de orar perante a Rocha do Advento.
Portanto jovens, por todos que estamos perdidos, sigam com os corações puros, as intenções devotadas no próximo e a coragem de reconhecer o bem e o mal dentro de suas almas, pois não nos resta esperança na salvação, mas nos resta a compaixão que dedicamos aos mais desesperados e a teremos até o novo fim dos tempos. Eu já fui como vocês e hoje sou para vocês para que um dia eu esteja com vocês.
E estando com vocês novamente, trarei a ciência de que tanto almejam sobre o mundo e os povos.
Que Al Malik os proteja.
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